Lídia Bantim

"Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... continuarei a escrever." Clarice Lispector

Textos


RICA MENINA POBRE

Peça teatral em ato único:

Adaptação do texto “Menino pobre e menino rico”, de Coelho Neto

Profª: Lídia Bantim

Cenário: uma pracinha, alguns brinquedos velhos.
Personagens: Jô (menina pobre) e Paty (menina rica)

Jô, a menina pobre está brincando, quando chega Paty, toda arrumada.

Jô (conversando com as bonecas): ─ Olha, aqui, Carol, você vai ficar direitinha, cuidando da sua irmã que a mamãe vai trabalhar. Vê se não brigam tá? Beija as bonecas.

Paty ─ (aproxima-se com cara de nojo): − Oi! Por que você brinca com lixo?

Jô: ─ Não é lixo, são minhas bonecas!!! Eu ganhei ontem, da patroa de minha mãe... (abraça as bonecas e sorri).

Paty: ─ Ah! Brinquedos!!! (dá uma gargalhada de deboche).

Jô: ─ Quer brincar comigo? Eu posso te emprestar a Rafaela, não é linda?

Paty: (ignorando o convite) ─ Você mora por aqui?

Jô: ─ Não, eu moro na Vila Operária, mas como tô de férias, vim com a minha mãe para o trabalho dela. É ali, ó! (aponta com o dedo indicador). A casa da patroa dela é muito linda! Tem uma piscina enorme! Pena que eu não posso entrar...

Paty: ─ Qual é o seu nome?

Jô: ─ Meu nome é Joana, mas pode me chamar de Jô, é mais fácil e geral me chama assim. E o seu?

Paty: ─ Eu me chamo Patrícia, mas todo mundo me chama de Paty e eu adoro!

Paty: ─ Você não passeia nas férias?

Jô: ─ Passeio, sim! Agora mesmo, tô passeando aqui na praça, enquanto a minha mãe trabalha.

Paty: Você chama isso de passeio? Que horror! Pois eu passeio muuuuuuuuuito, nas minhas férias. Agora, por exemplo, estou aguardando o lesado do motorista de meu pai para me levar ao shopping...

Jô: ─ Como é um Shopping?

Paty: ─ Garota, tem certeza que você é deste planeta? Você mora num lugar chamado Vila Operária (risos) brinca com lixo, não passeia nas férias e não sabe o que é um shopping? Shopping é um lugar onde tem muitas lojas, cinema, teatro, praça de alimentação, academia e muita gente bonita!

Jô (admirada): ─ Sua mãe não vai?! Ela deixa você sair sozinha com o motorista?

Paty: ─ Eu não tenho mãe... Minha mãe morreu, assim que eu nasci. Fui criada pela babá e o motorista, porque meu pai viaja muito, nunca tem tempo de ficar comigo. (PAUSA) Deve ser muito bom ter mãe...

Jô: −Ah! É muito legal! Ela é que me penteia os cabelos (mexe nos cabelos), ela é que me cura quando fico doente, ela é que lava e passa a minha roupa; é ela ainda que vela o meu sono e me encoraja quando, nas noites escuras, sinto medo de fantasmas.

Paty: ─ Eu queria tanto ter minha mãezinha, mas só a conheço por fotografia. Ela era tão linda!!! Meu pai é um homem muito rico e a minha casa é enorme, cheia de criados que mais parecem máquinas, trabalham o tempo todo.

Jô: ─ E quem lhe conta histórias?

Paty: ─ Histórias? Ué, Leio nos livros!

Jô: ─ Quem cuida da sua roupa e lhe faz penteados?

Paty: ─ Uma empregada.

Jô: − Quem você abraça, quando sente medo, nas noites de temporal, quando o vento parece querer derrubar as casas?

Paty: ─ Peço ajuda a Deus.

Jô: ─ E, quando adoece, quem fica ao seu lado, cuidando de você?

Paty: ─ As enfermeiras.


Jô: ─ E, quando a tristeza entra em seu coração, quem a consola?

Paty: ─ Eu choro.


Jô se levanta e, num gesto amigo, põe as mãos sobre os ombros da menina rica, encara-a compadecida e começa a chorar.


Paty: ─ Por que está chorando, garota? Eu te fiz alguma coisa?

Jô: ─ Choro de pena, porque nunca pensei que existisse no mundo alguém mais pobre do que eu. (Para disfarçar, agacha-se e começa a juntar os brinquedos).

Jô: ─ Paty, são que horas?

Paty: ─ Cinco horas. Você já vai? Fica mais um pouco!

Jô: ─ Não, Paty, se eu demorar, mamãe e eu vamos perder o ônibus das seis e vamos chegar muito tarde em casa...

Paty (estende a mão): ─ Então, tchau! Na próxima vez que você vier aqui, pode ir lá em casa, tomar banho de piscina comigo. Vou lhe dar várias bonecas e algumas roupas.

Jô: ─ Jura? Como eu não posso lhe dar um presente, eu empresto minha mãe para você. E aí, a gente pode ser irmã...
Tchau, Paty! (Sai de cena).

Paty (dirige-se à plateia): ─ É, pessoal, a Jô tem razão. Nossa mãe é o maior tesouro que Deus nos deu. Não existe riqueza maior. Por isso, se você tem mãe, cuide dela com amor, carinho e respeito, todos os dias de sua vida!!



 
Lídia Bantim
Enviado por Lídia Bantim em 16/07/2016
Alterado em 27/08/2016
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